Recortes Urbanos

O que é que você chama de urbano?

Onde está essa urbanidade no seu trabalho?

Delírios/Arte/Recortes Urbanos – é quase uma trilogia se fossem nomes de filmes…enfim, Durante um curto período como aluno especial no mestrado de urbanismo na Faufba, li muito a respeito do tema Cidades, daí foram surgindo os nomes das exposições. Inicialmente Delírios Urbanos (2006) – um conjunto de telas com imagens de várias cenas urbanas, algumas em formato de quadrinhos, outras em que se misturam cenários urbanos de cidades distintas, criando um mosaico delirante… Urbano pra mim é essa loucura de movimento das pessoas nas cidades, suas diferentes arquiteturas e seus meios de transporte, hoje a tão falada mobilidade urbana – daí a presença de metrô, carro, bicicleta, caminhão, avião e junto com eles a presença do ser humano – que dança, que desfila, que se exibe e se contorce nos caixotes da vida.

Mais adiante veio Arte Urbana (2012) período em que experimento um novo suporte – a placa de foamboard traduzido no comércio daqui como papel pluma possivelmente pela sua leveza. Nesta fase houve um investimento maior nas molduras com a utilização de madeira louro frejó. Sobre o tema urbano continuei a explorar de forma mais artística os elementos da anterior e introduzi as texturas com a utilização de espátula no lugar do pincel e obtive resultados interessantes do ponto de vista visual.

Nesta nova fase veio a idéia dos Recortes Urbanos (2015) sem grandes novidades enquanto tema mas fiel ao olhar de observador das diversas cenas urbanas, mais valorização dos desenhos dos carros, resgato o uso de papel como suporte e daí surgem o que chamo de formato Poster emoldurado. Também ampliei o uso de técnicas (aquarela, lápis cera, aerografia, espátula) apresento desenhos a mão livre e diversos tipos de moldura (clássicas, em madeira Pinho, Paspatur, sanduiche de MDF e vidro 3mm).

Em que medida essa urbanidade está no espaço, nas construções e nas pessoas?

Conforme dito no texto acima, é nesse espaço urbano que vou mesclando arquitetura, perspectivas de cidades densificadas, muito traço, muitas lajes, ruas, escadarias, becos estreitos, texturas de paredes sujas e envelhecidas pelo tempo… e nesse turbilhão a presença das pessoas que parecem se divertir no meio do caos urbano, dançando, caminhando, de carro, de bicicleta ou se contorcendo nas academias de Pilates.

O que temos de temas/técnicas nos novos trabalhos?

Em Recortes Urbanos surgiram desenhos livres, o uso de aquarela e tinta Ecoline e acho que a novidade foi o uso de papel (diversos tipos) como suporte dos posters grandes e pequenos. Não há muita novidade nos temas pois considero uma trilogia que talvez se encerre em Recortes…acho que as três exposições dialogam entre si. Uma outra novidade foi a reciclagem de molduras usadas e esquadrias de madeira, e a introdução de alguns painéis longos e estreitos em compensado com revestimento de fórmica (antigas portas de armário) além de pinturas sobre placa de MDF.

Como foi montar as peças para a parte de retrospectiva mesmo, fazer essa seleção de trabalhos que remontam ao começo dos anos 1980?

Bom, a idéia da retrospectiva veio por conta da criação do Site, pois precisava fotografar um conjunto de desenhos originais que se encontravam arquivados. Daí quando vimos o resultado e por sugestão de Gil Maciel, resolvi investir numa roupagem contemporânea (molduras de Paspatur) e assim teremos um trecho da exposição dedicado a esta “retrospectiva” dos anos 80, cujas peças são, na sua maioria, aerografias com tinta nanquim sobre papel Carmen. Os moldes foram confeccionados com radiografia usada o que de certa forma permite a sua reprodução por um longo tempo. Vários dos desenhos que estarão nesta retrospectiva foram utilizados em pintura de camisas, objeto de futura exposição. Outro motivo da retrospectiva, juntamente com o Site, foi a possibilidade de desenvolver um curso básico de Aerografia para quem tem interesse nesta matéria.

Fonte: Site Paulo Canuto