Jazz Baiano, por Ivan Huol

Jazz baiano, por Ivan Huol

Ivan Huol - bateriaDesde a Banda do Companheiro Mágico, em meados dos anos 70, muita coisa aconteceu no cenário instrumental baiano. Era criança quando os vi pela primeira vez tocando ao vivo no pátio do ICBA, local que um dia seria o primeiro palco do nosso projeto de jam session, em 91, hoje chamado Jam no MAM.

Nos anos 80 descobri nossos ídolos locais: Lula Nascimento, Luciano Chaves, Annunciação, Luciano Sousa, Guimo Migoya, Fred Dantas, Claus Jack e Gini Zambelli do Bar Vagão, Zeca Freitas e o Festival de Música Instrumental da Bahia, Mou Brasil, Sérgio Souto e Aderbal Duarte com o Sexteto do Beco, Paulinho Andrade, dentre outros. Fervia também no Brasil os baianos Pepeu Gomes e A Côr do Som, com Ari Dias e Armandinho, sendo que este último também dava nome ao Trio Elétrico Dodô & Osmar.

A construção de uma identidade só começa com a força dos “santos de casa”, sendo estes citados, realmente “Santos Milagreiros”!

Em 81 nasce o Grupo Garagem e a cena instrumental baiana estava a mil. Sempre havia um barzinho a oferecer MPBI, o nosso jazz moreno. Num cenário menos globalizado, tocávamos com o ouvido e a coragem. Pouca informação nos chegava de fora, mas a vontade de tocar dava o tom. Muita força de vontade, muito barulho, muita loucura, e estava ali brotando a semente do que viria a ser nossa maior conquista, qual seja, o nascimento de um cultura musical não subserviente à cultura dominante do jazz mundial.

No lugar da alienação, vem a paixão! Don Lula nos representa com o que de mais pujante temos na bateria, assim como Gabi Guedes e Orlandinho na percussão. Felipe Guedes e Joander Cruz, da nossa novíssima geração de virtuoses, nos enche de orgulho! Assim como outrora Rowney Scott, Marcelo Galter, Paulo Mutti, encheram nossos olhos em seus respectivos momentos. Nelson Veras, bem, esse é um capítulo à parte. Nelson foi a catálise de todos os nossos desejos de excelência, concentrados em um garoto de apenas 14 anos!

Nosso jazz moreno segue firme e forte, mais do que nunca, com a Jam no MAM, o Rupilezz (outro caso à parte), e as casa que pipocam jazz por aqui e ali, como agora a Casa de Castro Alves, a Casa da Mãe, o Jazz na Avenida, o Oliveira, a Aliança Francesa, dentre poucos outros, infelizmente. Mas, só na Jam no MAM, chegamos a mais de meio milhão (!) de espectadores em pouco menos de 8 anos de apresentações… Para escutar/ curtir/ vivenciar jazz em plena capital musical brasileira!

No repertório, muito samba, bossa, salsa, funk, axé, frevo, jazz, bolero, blues, tudo transformado em pretexto à improvisação. E isso é o Jazz em maiúscula como conhecemos e entendemos!


Passo no Jazz

Todas as Quintas
Das 18.30 às 21.30 hs
Valor R$ 10,00
Casa de Castro Alves, Rua do Passo 52 | Santo Antônio
Telefone: 3178 2423
www.CASADECASTROALVES.com
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